Friday, May 12, 2006

Eu também não gosto, mas...

“É no contexto desse matrimónio, em que um ou os dois elementos estejam infectados, que o uso do preservativo é o chamado mal menor” - Carlos Maria Martini, cardeal Italiano.

Peca por ser tardia esta minha reacção à anunciada “bênção” do uso do preservativo como um “mal menor”, segundo palavras da santa sé. No entanto, dada a importância do acontecimento, estará sempre actual.

Numa altura em que a Sida alastra “descontroladamente”, não havendo ainda uma cura para a mesma, e sendo esta mortal, muito me espanta que se defendam posições discriminatórias por parte de quem deveria promover a igualdade, mesmo depois de reconhecer que o uso do preservativo é um mal menor ( face à eventual possibilidade de contágio de uma doença mortal ).

Para quem defende que se deve preservar a vida “a todo o custo”, parece-me bastante contrasensual o facto de se admitir que a vida tenha em si mais valor, e por conseguinte, admitir o uso do preservativo como forma de a defender... mas apenas para casais monogâmicos...

Perante tal facto, ou para a igreja a vida não é um valor em si mesma, e o seu valor está dependente de factores secundários, e aí pergunto eu, porque não enquadrar também nesta perspectiva questões como o aborto ou a eutanásia por exemplo, ou então o mal menor não pende para o uso do preservativo, sendo perfeitamente aceitável em certos casos que uma parte infecte ou seja infectada, passando assim esse mal menor nesses casos para o outro lado, i.e., para o lado da doença.

Acresce ainda o facto de que, pese embora a salutar separação entre o Estado e a Igreja, o Estado estar a gastar fundos em campanhas de prevenção, tentando passar a mensagem da importância do uso do preservativo, e encontrarmos por outro lado outro sector com peso na sociedade a difundir precisamente a mensagem contrária, ou seja, que o seu uso é importante.. só às vezes... conforme o seu “BELO” prazer...

Ou o Estado ficou rico de repente, e não sabe onde gastar o seu dinheiro e como tal, deu-lhe uma fezada para o gastar “à vontadex”, ou então a politica estatal apresenta neste campo uma consciência cívica que talvez falte a alguns sectores da sociedade, que esperam tirar partido “político” do facto, o que não só me parece imoral, como também, de resto, bastante triste.

Mas para que raios quererão os casais monogâmicos usar “tal porcaria”?

Não serão eles fiéis, por acaso? Se sim, e salvo alguma infelicidade, algum infortúnio de contaminação sanguínea, estes não deverão precisar disso para nada... afinal, portando-se “bem”, não têm possibilidades de estarem infectados.

A não ser que... algum dos cônjuges “pule a cerca”, e aí lá se vai a monogamia, e como tal, não se é mais digno do seu uso.

Ou então pelo menos um dos conjugues já estaria infectado anteriormente, e aí, uma vez abençoado(s) pelo casamento, passariam a estar abençoados pela “graça divina”, sendo então dignos do uso de tal “mecanismo de protecção”. Mas para lavar as “impurezas”, primeiro precisariam de casar. Caso contrário, “só seriam dignos” de “espalhar a doença a seu belo prazer”.

Polémicas à parte, tempos houve em que o preservativo “tinha sido inventado” para conter os efeitos de certas obstruções nasais, mas com o decorrer do tempo, este ganhou novas aplicações.

Por este caminho, ainda se vai assistir à substituição do célebre anel de casamento pela igualmente circular e não menos popular “camisinha”, para que assim, com este gesto simbólico de enfiar o respectivo “artefacto” no dedo, se possa “selar” para todo o sempre a felicidade monogâmica tão abençoada.

De uma vez por todas, que se perceba que “ninguém gosta de usar tal porcaria”... mas ao contrário do que alguns dizem, não é um “mal menor”, é “um mal necessário”. E como tal, TODOS temos de por isso “na cabeça” de uma vez por todas...

5 comments:

Anonymous said...

Tenho de admitir que a Igreja Católica nunca me desaponta. A retórica da contradição pura é uma constante. Não se pode pensar nestas afirmações tentando seguir um raciocínio lógico. Nada da doutrina Cristã, é aliás, lógica ou verosímil. Esse é precisamente o problema da Igreja Católica. Quer digam que se deve usar o tal artefacto, quer digam que não podem, estão sempre em contradição. Ou com os seus próprios dogmas ou com a orgânica do resto do mundo. É um beco sem saída, e é também por isso que a Igreja Católica não faz qualquer sentido ou falta ao mundo actual, a não ser para aqueles que teimosamente continuam á procura de uma resposta existencial numa entidade espiritual que afirma que todo o método contraceptivo é condenável e anti-natura.

Anonymous said...

Concordo inteiramente Filipa. Embora acrescente que para além da Igreja Católica, todas as outras também não fazem falta nem têm qualquer sentido. Mas o caso da Igreja Católica é deveras aberrante. Nem em pleno Século XXI admitem que o uso do preservativo é essencial por forma a evitar doenças sexualmente transmissíveis, como é o caso da SIDA. É uma lógica demente, para não dizer quase assassina. Mas não me surpreende este tipo de atitudes por parte desta gente, parada no tempo e que há Séculos não evolui. Deus, a existir, bem teria pena destes Papas, Cardeais e Arcebispos que por aí andam...

Anonymous said...

He he he

Desta vez o nosso amigo "UntilTheEnd" conseguiu reunir um coro de concordância. Mas... eu até tenho a mania de ser advogado do diabo por isso...

Ora bem, para colocar a coisa no contexto correcto, o que ainda não foi feito, nem pelo nosso iluste escriba nem pelos comentadores de serviço.

O preservativo já por cá anda há muito mais tempo que a SIDA, tendo sido ao longo do tempo a ferramenta por excelência para o sexo ad-hoc (ou à vontadex, como queiram), sofrendo cada vez mais da concorrência doa anti-concepcionais orais, pela vulgarização destes, mesmo entre as camadas mais jovens.
Ora este tipo de prática sexual é em si contrário aos princípios da doutrina católica (e não só desta). Como tal parece-me perfeitamente natural que o seu uso seja condenado nos termos dessa mesma doutrina. A meu ver, esta é uma condenação indirecta, uma vez que aquilo que efectivamente é contrário à doutrina, é a libertinagem sexual generalizada que alguns teimam em defender, sendo o preservativo apenas o símbolo mais visível desse tipo de comportamento.
O apareciemnto da SIDA apenas veio trazer para as luzes da ribalta os riscos da tal libertinagem sexual e pôr à vista de todos o que antes se passava nas sombras.

Face ao problema epidémico que a SIDA representa, alguém se apreçou logo a acenar com a solução milagrossa do preservativo ao mesmo tempo que caracteriza a libertinagem sexual generalizada como um comportamento normal. Qualquer dia só falta acharem normal que o pessoal comece por aí a "dar umas quecas" na esplanada do café ou à mesa do restaurante enquanto espera pela bica ou pela imperial.

Mas quanto ás soluções milagrosas, já lá vou mais adiante, por agora vamos voltar, como se costuma dizer, "à vaca fria".

O facto de agora aparecer a tal aceitação do uso do preservativo como medida de segurança num casal monogâmico, o único reconhecido e defendido pela igreja católica, decorre, quanto a mim, de a igeja ter sido obrigada a responder a situações reais de casais em que apenas um dos membros está infectado e não com a aceitação dos "pulinhos da cerca", coisa que continua a ser condenada por essa mesma igreja.

Ora estas situações de casais em que apenas um dos membros está infectado, não decorrrem apenas da dita libertinagem sexual, mas também de outros motivos (contágio congénito, clínico, laboral,...) associado ao facto de a medicação já permitir uma grande longevidade ao doente, quando comparada com o que se passava no ínicio. Ou seja, é uma realidade mais mais recente que a SIDA própriamente dita.

Desta forma não vejo qualquer incongruência na posição da igraja católica, mas apenas um acompanhar da própria evolução epidémica da doença.


Indo agora à questão das soluções milagrosas.
A do preservativo contra a SIDA, parece-me uma prima direita das da gripe das aves ou das vacinas contra a meningite, muita parra e pouca uva. Ou melhor negócios de milhões à custa dos medos naturais da sociedade, nem que estes tenham de ser espevitados com uma boa dose de propaganda.


Senão vejamos:

O negócio dos preservativos, que desvalorizava diáriamente perante a concorrência de outros métodos anti-concepcionais, nomeadamente o aparecimento de anti-concepcionais orais de 3ª geração, muito menos problemáticos em termos de efeitos secundários, vê o seu valor decuplicado à boleia da SIDA.
Quanto à eficiência efectiva, ainda não vi nada de credível. Senão a epidemia não andaria por aí à rédea solta (e não estou a pensar no dito 3º mundo)

O laboratório que tinha um lote de vacinas contra a meningite (designação deveras discutível) preste a ser recolhido e destruído, esgotou-o em 2 semanas, a menos de um mês do fim da validade. Não só facturou as vendas, como ainda poupou a despesa da recolha e destruição.
Alguém voltou a asssitir a noticiários saturados com o assunto depois disso?
Pois é, mas a meningite continua por aí e a matar tanto como antes. E mesmo com a paranoia da vacinação que se viveu, nesse ano o indice de mortalidade não foi menor que o habitual. A única variante foi a Manuela Moura Guedes quase matar o Miguel Sousa Tavares em directo no telejornal.

O Tamiflu, um verdadeiro 'flop' faramaceutico, de repente passa a estar permanentemente esgotado,mesmo depois de decuplicada a sua produção. Tudo à custa de uma doença já conhecida desde os tempos da guerra do Vietname. Curiosamente esta doença não matou mais nos últimos anos do que matava na época, apenas as mortes forasm mais publicitadas (será que o facto do Sr Rumsfeld ser o detentor dos direitos do Tamiflu, que comprou baratinhos, tem alguma coisa a ver com isto?).
Também neste caso a eficiência está por demonstrar.

Curiosamente, em todos estes casos apelou-se sempre à distribuição gratuita suportada pelos cofres do Estado, que é como quem diz, dos nosso impostos. Para não variar quem mais barulho faz contra os impostos é quem mais embarca nestes carrinhos todos (eu tenho a certeza que o Tico foi de férias e deixou o Teco sózinho).

Just my 2 cents...


Para terminar só uma observação à Filipae e ao Ricardo, que parecem ter sido mordidos pela igreja católica.
Vocês estão no vosso pleno direito à opinião, sobre a(s) religião(ões) como sobre qualquer outro asunto. Da mesma forma os outros estão no seu direito de ter opinião diferente. Como tal não me parece que bem menosprezar quem tem opiniões diferents. Também me parece algo presunçoso arvorarem-se em senhores da verdade no que toca ao bem ou ao mal da sociedade ou do mundo.
Face a trocas de opiniões anteriores, desta vez a Filipa surpreendeu-me pela negativa.

Apesar de não parecer. não sou um defensor incondicional das religiões e das suas práticas. Mas também não sofro de nenhum fundamentalismo anti-religioso.
Apenas tenho a minha própria forma de ser e estar, assim como os outros têm as deles.
Da mesma também não tenho qualquer alergia ao dito "sexo livre", apenas acho que alguma moderação e algum respito por si próprio também são importantes.

UntilTheEnd said...

Ora.. ora...

Seja bem aparecido, Sr "advogado"...

Começo por onde?.. Hum já sei..

"Também me parece algo presunçoso arvorarem-se em senhores da verdade no que toca ao bem ou ao mal da sociedade ou do mundo."

Bonito, para quem começa o discurso com...

"Ora bem, para colocar a coisa no contexto correcto, o que ainda não foi feito, nem pelo nosso iluste escriba nem pelos comentadores de serviço."

No que a mim me diz respeito, começo por responder ao reparo sugerindo que este é um espaço que defendo ser o mais liberal possível, e onde TODAS as opiniões devem contar... ninguém têm que estar de acordo como o que quer que seja por obrigação...
Isto não é nem deve ser a "feira das vaidades"...
Falo apenas por mim, os outros q se defendam... o que aqui publico é apenas um ponto de vista, o meu é certo, mas é apenas mais um... ao qual dou ou entendo dar mais relevo... donde a sua importância é relativa...
De resto, devo admitir a minha atração por uma discussão "regrada" e bem sustentada "argumentativamente".
Por forma que o "escriba" dispensa TODO E QUALQUER comentador "de serviço", colocando aqui a tónica na parte final da frase.
Não obstante, os referênciados "comentadores" estão no seu pleno direito à opinião, tal como referes, e muito bem nesse caso.
Depois desta "demorada", mas sobretudo necessária clarificação, passo ao "cerne" do problema, de acordo com os "conta-argumentos" presentados...
Ainda de acordo com o conceito de liberdade que defendo, e aplicando-o neste caso ao sexo, cada um é livre de fazer de e com o seu próprio corpo o que bem entender, desde que respeite igualmente o respectivo parceiro/a e a liberdade individual deste, logo..., desde que todas as partes envolvidas tenham plena consciência dos seus actos e a estes acedam de livre vontade, não me parecem necessárias quaisquer outras regras (independente do tipo, género ou número de variáveis envolvidas). Logo o teu conceito de "ad-hoc" ou "à vontadex" serve aqui perfeitamente para ilustrar uma posição que me parece não só salutar como também sem qualquer posiçao reprovável.
"Ora este tipo de prática sexual é em si contrário aos princípios da doutrina católica."
Ok... é a posição da mesma, mas tal como indicas e muito bem, cada um tem a sua opinião... donde se segue que "Como tal parece-me perfeitamente natural que o seu uso seja condenado nos termos dessa mesma doutrina."
Tudo "muito certinho" até aqui... se não fosse o facto de te teres "esquecido" que o que condeno é justamente a falta de coerência desses principios..., ou seja, esta condenar o seu uso "só as vezes, conforme os casos".
É que esta incongruência é totalmente desnecessária...
Podiam condenar na mesma o seu uso como um mal menor para TODAS as partes envolvidas... sem descriminação de qualquer espécie, que não estariam a abalar os seus princípios. Não deixaria de ser um "mal" aos seus olhos, no enatnto "aceitável" perante um "mal maior" que seria a transmissão da respectiva doença. Não defendendo o seu uso abertamente, poderiam assim enquadrar perfeitamente o seu uso como uma atitude que "embora reprovável à luz dos seus príncipios", teria como recompensa o facto de que desta forma se poder evitar o "sofrimento alheio" que tal doença provoca, igualmente condenável segundo os seus príncipios, embora de proporções bastante mais graves, reduzindo-se assim deste modo ao minímo possível os efeitos negativos que pudessem adevir do "somatório" das duas "condições de possíbilidade" em confronto.
Precisamente porque tal como referes... "os riscos" de tal "libertinagem" (termo bastante discutível, devo dizer-te, mesmo dentro do seio da igreja e dos seus seguidores, a avaliar pelas últimas sondagens...) justificam prefeitamente o uso do preservativo como um mal menor.
Continuando...
"Qualquer dia só falta acharem normal que o pessoal comece por aí a "dar umas quecas" na esplanada do café ou à mesa do restaurante enquanto espera pela bica ou pela imperial"...
Não sei que cafés ou restaurantes tens frequentado... mas no que me diz respeito, não só não verefico esse tipo de situação onde vou, nem me deparei até agora com o facto de esse tipo de atitudes ter virado prática banal... logo não vejo qual a relação do uso do preservativo com estas "visões", nem tão pouco consigo visualizar qualquer indícío plausível que esse cenário se torne realidade e muito menos "como efeito" directo do uso do preservativo ou da defesa do mesmo.
"Ora estas situações de casais em que apenas um dos membros está infectado, não decorrrem apenas da dita libertinagem sexual, mas também de outros motivos (contágio congénito, clínico, laboral,...)"
Pois não.. e isso é válido quer para casados, quer para solteiros..., e como tal, não há nenhuma razão palusível para tal distinção... donde que não se compreende que "a tal aceitação do uso do preservativo como medida de segurança num casal monogâmico, o único reconhecido e defendido pela igreja católica" coloque em lugar preveligiado o casal monogâmico façe à fatalidade de uma infecção que pode surgir como bem dizes de factores vários, muitos dos quais inimputáveis do ponto de vista "moral". Daí que o "acompanhar da própria evolução epidémica da doença" por parte da igreja só pode ser entendido aqui à luz de uma leitura bastante "transversal" da realidade.

"Indo agora à questão das soluções milagrosas.
A do preservativo contra a SIDA, parece-me uma prima direita das da gripe das aves"
Bom, aqui então a comparação parece-me por demais descabida, 1º porque "O Tamiflu, um verdadeiro 'flop' faramaceutico" não deu sequer ainda provas da sua "eficácia", ao contrário do uso do preservativo, e aqui não sejamos por favor mais papistas que o papa... quando referes que "...Quanto à eficiência efectiva, ainda não vi nada de credível. Senão a epidemia não andaria por aí à rédea solta" (o que infelizmente aconteçe, e só não acontece mais porque algumas almas mais evoluidas já perceberam quer a sua eficácia, quer a sua importância/necessidade), e 2º porque a questão aqui não se prende a factores económicos como referes, i.e., a sua necessidade já é e resto reconhecida pela OMS como meio de prevenção e como tal adequire papel primordial enquanto tal, mais do que como meio anti-concepcional, não sofrendo portanto qualquer concorrência dos outros métodos disponíveis tais como os "anti-concepcionais orais de 3ª geração" como referes.

"Curiosamente, em todos estes casos apelou-se sempre à distribuição gratuita suportada pelos cofres do Estado"
E ainda bem... imagina se assim não fosse, e seguindo essa visão "economicista", qual seria o custo se ao invés do seu uso, cada unidade de preservativo se convertesse automáticamente em doentes a tratar pelo estado...
Quanto ao facto de "à Filipa e ao Ricardo, que parecem ter sido mordidos pela igreja católica", não me prenuncio em sua defesa, eles saberão se defender se acharem necessário, mas pessoalmente não vejo indícios nas suas intervenções de qualquer "mordedura", apenas expressam as suas opiniões que como referes de facto, é um direito que se lhes acede, tal como a ti.

Anonymous said...

Se tivesse de definir a tua personalidade por adjectivos, empregaria "Cáustico" ou "Incisivo" e confesso que ambas me seduzem.
Quando li a noticia no jornal esta dizia:
"A Igreja aceita o perservativo"
Fiquei radiante,e pensei, bem a partir de agora a igreja não volta a engravidar, mas pensando melhor e porque me considero um "não crente" duvido pois ela está constantemente a ser fecundada pela ilustre demagogia dos seus mentores. É um processo imparável.
Acho que estás completamente certo nos teus comentários á atitude da igreja face ao perservativo.
Quanto ao nosso "Advogado do Diabo"
desta vez enveredou pela àrdua e espinhosa defesa de uma dama indefensável o que me leva a imaginá-lo como um D. Quixote de sotaina.