Monday, June 06, 2011

Abstenção ? ou talvez não...!!!!!

Ora nada melhor do que o rescaldo de umas eleições em tempo de crise para voltar a dar vida ao Blog...


E neste momento, que a escolha dos portugueses está feita, mal ou bem, chamou-me a atenção, à parte das dificuldades económicas tanto apregoadas, bem como das medidas estruturais que se diz serem necessárias, que os políticos não consigam ler correctamente outros sinais igualmente relevantes das escolhas ou “não escolhas” dos portugueses, nomeadamente no que diz respeito ao “fenómeno” da abstenção.


De facto e no que diz respeito ao tema, viu-se tanto no próprio dia das eleições, após a divulgação dos resultados, como no dia posterior, muitos políticos “conceituados” da nossa praça, a apressarem-se a desculpar a abstenção sobre a falsa questão do “défice democrático e cívico” da sociedade portuguesa, como se a culpa estivesse só de um lado, e como se toda a classe politica fosse uma vitima do “alheamento” dos portugueses no que toca a colocar o voto na urna...


Esquecem-se esses mesmos senhores... (ou fazem-se de despercebidos digo eu...) que o aparente “divorcio” entre a classe politica e o eleitorado se deve igualmente à fraca imagem que a mesma deixa transparecer de si própria, face aos contínuos “casos” de tráfego de influências, favorecimento de terceiros, desfalques e derrapagens que afectam o erário público, onde vinga a corrupção, o amiguismo, a cunha, os “job for the boys”, a mentira, a hipocrisia, a prepotência e arrogância, e um sem número de atitudes que tomam o lugar da ética e do dever que deveriam imperar na acção politica...


É que não chega só acenar com o “chavão” do dever cívico dos portugueses, quando se esquece igualmente do dever cívico e politico de “servir” o país... e não de se servir do mesmo ou ser servido...


Não é por acaso que pese embora o distanciamento temporal, na democracia grega, por exemplo, as pessoas se reviam mais facilmente nos seus representantes do que nos tempos modernos, quiçá porque imperava igualmente nos políticos de então um sentimento de “dever”.. que se foi perdendo ao longo do tempo.

Hoje a classe politica e os partidos em geral, e os políticos em particular (acredito que possam existir excepções), preocupam-se mais nos seus interesses partidários, do que nos problemas reais do pais ( e para isso basta... no mínimo.. seguir as campanhas eleitorais...).


Ora o que vejo não só aqui em Portugal, como no resto do mundo, é que a forma de “fazer” política por parte da população em geral, mudou.. e os políticos ou não perceberam.. ou pior, não querem perceber esse facto, e não tiram as devidas ilações e não estão em consequencia, a conseguir adaptar-se como seria necessário...


É que a “acção” politica não se esgota no “voto”, e mesmo aquelas pessoas que não votam, acabam muitas vezes por ter uma intervenção politica tão ou mais poderosa do que o simples facto de ir votar...

Não que não considere que as pessoas para além de se manifestarem de outra qualquer forma, não devam igualmente votar..., devem de facto a meu ver..., mas ressalvando sempre o direito de o fazer, e nunca como uma obrigação, com é prática no Brasil, no qual o voto é mesmo obrigatório...


Esse não é de facto o caminho a seguir, pois “subverte” a ideia de escolha que deve ser livre... e o não votar também pode ser uma escolha.. que não pode ser excluída..


Mas apesar de considerar que as pessoas devem votar, não confundo o “dever” votar, com a “obrigação”, pois votar deve ser um direito, e só o é enquanto for uma escolha caso contrário não é um direito, é uma obrigação...


Dizia eu que a forma de fazer politica mudou... em Portugal e no resto do mundo... globalmente..., mas a classe politica aparentemente não, cristalizou.. e não acompanhou a mudança no paradigma politico...


Quando nos deparamos com uma realidade na qual, as pessoas se organizam e se manifestam globalmente como nunca... sobre as mais variadas formas, na qual a Internet têm tido um papel primordial, quer convocando “mega” manifestações..., quer na criação de Blogs e grupos de discussão, verificamos que a intervenção cívica e politica da população mudou.. não se resume ao simples voto, mas alargou-se, deslocou-se para outros patamares mais amplos, e não menos poderosos... alargando-se assim a “ESCOLHA”.

E nesse sentido também, é errada a leitura de que as pessoas estão alheadas da politica... quando o que elas estão é alheadas é da “classe politica” e dos partidos em geral..., ou seja, estão fartas desta forma antiquada de fazer politica...


A abstenção reflecte assim apenas a percentagem de pessoas que se “cansaram” deste modelo politico, e já não se revêm no mesmo.


Mas não se pense que elas estão adormecidas. não... antes pelo contrário, estão bem vivas... em pleno movimento... que o mesmo já não se reflecte nas urnas sobre a forma de voto, ou seja, de uma forma directa..., mas sim indirecta.. e já lá vamos mais à frente..., para já prefiro chamar-lhe uma presença “ausente”...


Relembro aqui para uma melhor compreensão do que refiro, as eleições presidenciais americanas... nas primárias os vota-se muitas vezes por forma a promover não um candidato forte do seu partido, mas sim no candidato oposto mais fraco, para que possa perder no confronto directo com o do seu partido na fase seguinte, ou seja, aparentemente estão alheadas dos seus interesses... mas na prática chegam ou pretendem chegar lá por outros caminhos...


As pessoas já perceberam que o seu poder enquanto cidadãos não se resume a ir colocar o voto nas urnas e que existem igualmente outras formas bastante eficazes de “penalizar” as más governações... ou seja, outros canais que podem a curto/médio prazo ter um efeito bem mais eficaz...


Como ? Organizando-se em manifestações, com grande impacto mediático, com auxilio dos meios de comunicação (rádio, televisão, mas sobretudo internet, especialmente nas camadas mais jovens que a ela aderem mais facilmente....), ou através de Blogs ou grupos de discussão, nos quais debatem diversos pontos de vistas e estratégias que por um lado desgastam e consequentemente penalizam as más governações, e ajudam a criar um movimento de sensação de mudança... ou Lobbys, como lhes quiserem chamar... e que muitas vezes influenciam de forma definitiva a tendência de voto das pessoas que acabam por ir votar às urnas... e dai ter intitulado à pouco de “presença” (real, pois interage e influência concretamente), ausente (no que diz respeito ao acto de votar, mas não de influenciar muitas vezes os vencedores...)

O poder dos “Opinion makers” mudou de mãos... já não está nas mãos de alguns “iluminados/ esclarecidos”.. mas saltou para a esfera pública e global... ou seja, tornou-se incontrolável pelos tradicionais “centros de Poder”...

E estas aparentemente “inofensivas” acções... têm im impacto enorme, pelo que ignorar as mesmas por parte dos “responsáveis politicos” representa uma grave míopia que pode ter a médio longo prazo consequências politicas...

E de nada vale vir o presidente apelar ao sentido cívico da população na altura do voto, quando não se chegou sequer a perceber a “complexidade” do problema..., pois resultará como se verifica na prática um desastre e um insucesso garantgido...

Não chega igualmente voltar a tapar o sol com a peneira com argumentos de que o mal está apenas nas pessoas e na sua falta de responsabilidade, pois existem várias alternativas, ( 17 partidos concorrentes nestas últimas eleições por ecemplo...), e que estas são comodistas e não querem é ter o traballho de irem votar e preferem por exemplo ir para a praia...

Ora a ser verdade, essas mesmas pessoas também não se dariam ao trabalho de ir às manifestações ou de discutir os problemas através da internet... não..., não se trata aqui de comodismo... mas sim de alterações preofundas na forma de participação cívica...

É certo que votar nos partidos com “menor” peso politico (pessoalmente não concordo com esta expressão, pois o poder dos partidos não é ditado à priorí, é aquele que as pessoas decidirem atribuir aos mesmos.. e não fabricadas artificialmente por “interesses alheios”) será uma parte da solução, para que se possa ultrapassar esta falsa “dicotomia” e possa fazer emergia novas e reais alternativas ( que não seja apenas falsa alternância...), mas é apenas uma das possibilidades.. tão válida como outra qualquer...

As pessoas só têm é que se deixar amedrontar pelo seu lado “emocional” impedindo que o mesmo “domine o lado “racional” que prova claramente que outras alternativas são possíveis se assim se quiser...

É de saudar por exemplo a votação do recém-criado PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza, que conseguiu na sua primeira candidatura, um numero acima dos 50 000 votos, sendo o segundo partido mais votado entre os apelidados “partidos pouco representativos”...

Isto prova que outras abordagens são possíveis e que os politicos não estão a saber avaliar e adaptar-se correctamente ao novo paradigma politico emergente.

Thursday, February 10, 2011

Crise ? Qual crise...

Ora aqui vai um exemplo a seguir... senhores "engenheiros"... quem sabe assim não saimos da crise... eu disse crise ? Qual crise ?

Apanhado a 290 km/h arrisca multa de 780 mil euros

Condutor sueco foi apanhado a 290 km/h, numa auto-estrada suíça entre Berna e Lausanne, onde a velocidade máxima permitida é 120km/h


Apanhado a 290 km/h arrisca multa de 780 mil euros

Um condutor sueco foi preso e o seu Mercedes SLS AMG apreendido, após ter sido apanhado a 290 km/h, numa auto-estrada suíça, entre Berna e Lausanne, onde a velocidade máxima permitida é 120km/h.

O condutor de 37 anos, cujo nome não foi revelado, arrisca-se agora a uma multa que poderá chegar a um milhão de francos suíços, mais de 780 mil euros, a mais elevada aplicada por uma infracção de trânsito.

A confirmar-se, a multa deverá quintuplicar o anterior recorde, também registado na Suíça, este ano, quando o condutor de um Ferrari Testarossa foi multado em 202 mil euros, por ter atravessar uma aldeia a pouco mais de 100 km/h, quando o limite era 80 km/h.

Qual a razão para uma multa tão elevada? A Suíça é um dos países da Europa onde os valores das multas são decididos em função da fortuna do infractor.


Fonte: http://www.autoportal.iol.pt/noticias/geral/apanhado-a-290-kmh-arrisca-se-a-multa-de-720-mil-euros#comentarios

Ora quando vejo os cometários reparo num interessante:




"Em Portugal isto nunca sería possível... Quem é que prova que o português que infringe as leis é rico???!!!"


Ora...

Não é verdade, todos infrigimos... eu inclusivé, uns mais outros menos... a diferênça é que uns safam-se, pois têm dinheiro e conhecimentos, ou seja, dão um "toque" ao senhor X que conheçe Y e depois nada pagam, ou então são amigos do Y e nem precisam de intremediários..., e outros não, pagam a multa que se F****.

Para não falar que em portugal o valor da multa é sempre igual, ou seja, o pobre se é apanhado 1 vez, paga e serve-lhe de emenda, passa a andar fininho, pois leva uma cacetada no orcamento, que muitas das vezes o impede de andar de carro tantas vezes como o fazia anteriormente, ou seja anda muito menos enquanto não volta a equilibrar as contas...
O rico simplesmente paga a multa (quando paga!!!), e volta à estrada confortavelmente... e se for mesmo muito rico.. paga logo 10 multas em adiantado para estar à vontade e para não ter o incomodo de se deslocar novamente ao local para efectuar o pagamento...

O prolema é a sensação de impunidade que faz com que quem tenha muito dinheiro nem se quer se preocupe com as multas, pois sabe que a maior parte das vezes não paga, ou quando paga são "trocos".

Noutros paise como o exemplo citado, não só pagam, como pagam de acordo com os rendimento, e ai meus senhores, doi tanto aos ricos como aos pobres.... e ja todos têm medo... arriscam menos.. e quando são apanhados, arrepiam caminho.. a pois é... "Konami fresquinho"

O mesmo deveria ser aplicado por exemplo a outros tipo de infracções, tudo de acordo com os rendimentos, ou seja, quem têm mais paga mais, quem tem menos paga menos...

Já agora não sei se o mesmo é aplicado na taxa para entrada nas cidades, que é aplicável noutros países, devido ao excesso de trafego, ou seja, pagariam também uma taxa para entrar, variável, de acordo com os rendimentos... isso sim era justo.

Caso contrário, voltamos ao mesmo... quem tem muito dinheiro entra sempre, paga logo em adiantado o mês todo pois poupa trabalho uma vez que o custo não lhe é representativo, logo não lhe faz falta, e ainda beneficia de menos transito, pois a maior parte dos condutores começa a sentir o peso de mais um "imposto" de circulação e começa a desistir de levar a "biatura"...

Wednesday, June 16, 2010

GENTE DE BEM !!!!

Foi a 30 de Janeiro de 1972.. ainda nem era nascido...

FINALMENTE!!! Foram precisos mais de 38 anos.. mas os ingleses reconheceram a sua matança....

Só mais um aparte...

Tempos depois do triste acontecimento... a Dama de Ferro... Margaret Thatcher.. condecorava os responsáveis pela chacina.. como herois nacionais.. com medalhas por mérito...

AINDA NÃO FOI FEITA JUSTIÇA.. APENAS A POSSÍVEL..

Falta uma condenaçãozinha publica.. pelo menos... senão aos soldados... a quem lhe deu as ordens....

Já que À vida não poderão trazer de novo as vitimas....

Friday, May 12, 2006

E agora algo completamente diferente...


Este post vai ao encontro da comunidade xadrezista que sei de antemão que vai adorar mais um problema... um abraço para os visados... bons jogos... e já agora se conseguirem fazer melhor... bem eu nem diria tanto, diria mesmo chegar lá... eu ainda não consegui... mas copiei a solução para um ficheiro tendo o cuidado de não a ler... se não perde a piada...

Consta-se que vários Grande Mestres não tenham dado com ele, e que se saiba, o recorde pertence a um GM, de seu nome Kindermann, que o resolveu “em apenas 10 minutos”. Se alguém conseguir melhor... que diga... aceitam-se candidatos de qualquer maneira.

Jogam as pretas, mate ajudado em 4

Eu também não gosto, mas...

“É no contexto desse matrimónio, em que um ou os dois elementos estejam infectados, que o uso do preservativo é o chamado mal menor” - Carlos Maria Martini, cardeal Italiano.

Peca por ser tardia esta minha reacção à anunciada “bênção” do uso do preservativo como um “mal menor”, segundo palavras da santa sé. No entanto, dada a importância do acontecimento, estará sempre actual.

Numa altura em que a Sida alastra “descontroladamente”, não havendo ainda uma cura para a mesma, e sendo esta mortal, muito me espanta que se defendam posições discriminatórias por parte de quem deveria promover a igualdade, mesmo depois de reconhecer que o uso do preservativo é um mal menor ( face à eventual possibilidade de contágio de uma doença mortal ).

Para quem defende que se deve preservar a vida “a todo o custo”, parece-me bastante contrasensual o facto de se admitir que a vida tenha em si mais valor, e por conseguinte, admitir o uso do preservativo como forma de a defender... mas apenas para casais monogâmicos...

Perante tal facto, ou para a igreja a vida não é um valor em si mesma, e o seu valor está dependente de factores secundários, e aí pergunto eu, porque não enquadrar também nesta perspectiva questões como o aborto ou a eutanásia por exemplo, ou então o mal menor não pende para o uso do preservativo, sendo perfeitamente aceitável em certos casos que uma parte infecte ou seja infectada, passando assim esse mal menor nesses casos para o outro lado, i.e., para o lado da doença.

Acresce ainda o facto de que, pese embora a salutar separação entre o Estado e a Igreja, o Estado estar a gastar fundos em campanhas de prevenção, tentando passar a mensagem da importância do uso do preservativo, e encontrarmos por outro lado outro sector com peso na sociedade a difundir precisamente a mensagem contrária, ou seja, que o seu uso é importante.. só às vezes... conforme o seu “BELO” prazer...

Ou o Estado ficou rico de repente, e não sabe onde gastar o seu dinheiro e como tal, deu-lhe uma fezada para o gastar “à vontadex”, ou então a politica estatal apresenta neste campo uma consciência cívica que talvez falte a alguns sectores da sociedade, que esperam tirar partido “político” do facto, o que não só me parece imoral, como também, de resto, bastante triste.

Mas para que raios quererão os casais monogâmicos usar “tal porcaria”?

Não serão eles fiéis, por acaso? Se sim, e salvo alguma infelicidade, algum infortúnio de contaminação sanguínea, estes não deverão precisar disso para nada... afinal, portando-se “bem”, não têm possibilidades de estarem infectados.

A não ser que... algum dos cônjuges “pule a cerca”, e aí lá se vai a monogamia, e como tal, não se é mais digno do seu uso.

Ou então pelo menos um dos conjugues já estaria infectado anteriormente, e aí, uma vez abençoado(s) pelo casamento, passariam a estar abençoados pela “graça divina”, sendo então dignos do uso de tal “mecanismo de protecção”. Mas para lavar as “impurezas”, primeiro precisariam de casar. Caso contrário, “só seriam dignos” de “espalhar a doença a seu belo prazer”.

Polémicas à parte, tempos houve em que o preservativo “tinha sido inventado” para conter os efeitos de certas obstruções nasais, mas com o decorrer do tempo, este ganhou novas aplicações.

Por este caminho, ainda se vai assistir à substituição do célebre anel de casamento pela igualmente circular e não menos popular “camisinha”, para que assim, com este gesto simbólico de enfiar o respectivo “artefacto” no dedo, se possa “selar” para todo o sempre a felicidade monogâmica tão abençoada.

De uma vez por todas, que se perceba que “ninguém gosta de usar tal porcaria”... mas ao contrário do que alguns dizem, não é um “mal menor”, é “um mal necessário”. E como tal, TODOS temos de por isso “na cabeça” de uma vez por todas...

Wednesday, April 19, 2006

Alguém conhece?

Na sequência do último post, uma outra notícia do mesmo jornal chamou-me a atenção...

Segundo reza a crónica de Joaquim Fidalgo, Hugh Thompson, herói com “letras miudinhas” da guerra do Vietname faleceu recentemente. Este nome até à data nada me dizia, como se calhar também nada dirá a quem neste momento me estiver a ler.

Passo então a transcrever um excerto que me parece relevante para que se perceba quem foi tal “personagem”, que isto dos heróis e da História com H grande está muito dependente de quem a conta e da forma como a conta. No entanto, as coisas acontecem...

“Hugh Thompson é um nome que, até há pouco tempo, não me dizia nada...,...My Lai é o nome de uma aldeia, mas para mim é o nome de um massacre: o massacre de My Lai, ocorrido durante a guerra do Vietname e gerador de violentíssimos protestos em todo o mundo. Foi por essas e por outras que os americanos perderam aquela guerra – uma guerra que nunca deviam ter feito, aliás. Quando se soube da carnificina de May Lai, ocorrida em 1968, confirmou-se aquilo que se suspeitava (apesar dos costumeiros desmentidos oficiais), que era o facto de muitas populações civis indefesas, mulheres, crianças, velhos, serem também vítimas – e vítimas deliberadas – da guerra. Eram tudo menos “danos colaterais”, como hoje em dia é costume chamar-se a coisas semelhantes, com um ar constrangido que soa a hipocrisia.

Diz a História que em My Lai terão morrido, por força das armas de marines americanos, cerca de 500 vietnamitas civis. Mas há outra história dentro da história de My Lai. É que houve três soldados também americanos, que tentaram impedir o massacre. Entre eles o tal Hugh Thompson. Esses três soldados, ao chegarem à aldeia e ao verem o espectáculo dantesco da sua tropa a chacinar toda uma população, não hesitaram em interpor um helicóptero entre os seus camaradas de armas e os indefesos vietnamitas, apontando mesmo as espingardas contra os próprios colegas e ameaçando disparar, se a mortandade continuasse. Hugh thompson, mais os companheiros Lawrence Colburn e Glenn Andreotta (deixem que lhes escreva os nomes, merecem tê-los gravados e conhecidos) não conseguiram impedir o assassinato de cerca de 500 pessoas da aldeia, mas graças à sua intervenção desesperada, puderam ainda salvar ao menos uma vintena. Para além disso, a importância do gesto é enorme: onde todos estavam a dizer sim, eles foram capazes de arriscar um não, tendo-se mesmo voltado contra os seus companheiros, em defesa de pessoas que não conheciam de lado nenhum, mas que eram pessoas – e pessoas desarmadas.

Hugh Thompson morreu há dias, e foi por causa disso que a sua história foi recordada nos jornais. Foi por aí que soube. E gostei de saber que, embora a história futura só registe a carnificina terrível de My Lai, há pelo menos três heróis desconhecidos que impediram um bocadinho dela..., ... Para que conste, aqui fica a parte da história em letras pequeninas.” Joaquim Fidalgo Público 19 Abril 2006.

Pois é, o autor não conhecia... eu também não... mas gostei de ficar a conhecer...!!!

Idolatrias

Ao comprar como habitualmente faço o jornal diário, reparei felizmente que este não dedicou na sua primeira página especial atenção ao jovem actor entretanto falecido. De facto, nos últimos dias tenho sido bombardeado com o relato da sua morte e das seguintes situações envolventes, de uma forma que considero não só sensacionalista como totalmente desproporcionada. A merecer especial destaque será não a sua morte, mas o sensacionalismo que em torno desta se gerou.

Que a situação seja constrangedora para familiares e amigos, é perfeitamente natural, que tenha de certa forma abanado algumas consciências embriagadas no mito do “ídolo intocável”, é uma consequência também esperada (eu próprio confesso que passei por uma sensação similar de incredibilidade aquando da morte do piloto Ayrton Senna), agora que alguns meios de comunicação social queiram a todo custo tirar proveito da desgraça alheia é que já não me parece tão compreensivo ou aceitável. É como que a tentativa de promoção do jovem à categoria do novo herói trágico. É de facto trágico morrer tão cedo, mas será que este foi o único jovem a quem este facto aconteceu? Para alguns meios de comunicação assim parece.

Ilações práticas deste fenómeno, algumas, positivas a meu ver, no meio de tanta “negatividade”.

O de alertar por um lado, que a efemeridade / fragilidade da vida humana, que nos coloca a todos perante tal facto em situação de igualdade, por outro o de reavivar as consciências, mesmo que brevemente, das implicações do acto de conduzir, e por fim o de possibilitar aos pais e educadores a abordagem a um tema que é muitas vezes omitido ou tratado de forma totalmente asséptica. Permite assim abordar de uma forma “positiva” a problemática da morte, aproveitando exemplos que podem contribuir para uma melhor aceitação futura do facto, quando as crianças, as que ainda não o tiverem feito, entrarem em contacto mais directo com o fenómeno da morte de um familiar ou amigo.

A este respeito (como a qualquer outro aliás), devemos sempre que possível, mostrar o mundo como ele é, sem fantasmas ou tabus. As crianças agradecem... e o mundo também.

Sunday, April 16, 2006

Aonde mora o perigo Nuclear?

Numa altura em que parece estar meio mundo preocupado com a possibilidade de um Irão Nuclear, serão menos as pessoas que param um pouco para pensar nas verdadeiras causas de tal preocupação. Será por ser um regime “supostamente” louco ou devido a reminiscências de um passado mal resolvido que ainda não abandonou a nossa consciência colectiva, um fantasma que se apodera dos medos humanos e que toma conta da nossa irracionalidade para além das razões que a nossa racionalidade pode produzir?

Se pararmos um pouco para analisar friamente os factos, o que se assiste é apenas mais um país a afirmar o seu direito ao nuclear e a inscrever o seu nome como potência nuclear. Outros houveram que tomaram precisamente as mesmas acções, contrariando todos os tratados de não proliferação nuclear sem que no entanto se tenham levantado um número significativo de vozes a contestar o facto.

E porquê? Porque o que está verdadeiramente em causa não é o perigo do nuclear, mas sim quem possui os “direitos” de poder usar activa ou passivamente, leia-se coercivamente, o seu poder.

Nos últimos anos verificou-se que países como Israel, França, Paquistão, Índia ou Coreia do Norte se afirmaram de forma mais ou menos clara como membros de direito ao grupo restrito de privilegiados enquanto potências nucleares, ignorando para o efeito todos e quaisquer tratados. Ainda à bem pouco tempo, os Estados Unidos que de forma tão apressada e firme vieram a público condenar o “perigo” de um Irão Nuclear, se deslocaram à Índia para aceitar com palmadinhas nas costas mais um membro de direito a tal grupo, negando logo de seguida o reconhecimento ao seu vizinho Paquistão, com o qual esta se trava de razões pela questão de Caxemira. Só que, para azar dos Estados Unidos, o Paquistão não está já dependente do reconhecimento de qualquer “pretenso” árbitro, e soube já afirmar-se perante o mundo como potência nuclear. O mesmo se passou com a Coreia do Norte, e vai ou já está a acontecer com o Irão. Outros se seguirão, e ainda bem.

E porquê? Porque ao contrário do que alguns querem fazer crer através de leituras distorcidas, o papel do nuclear é sobretudo coercivo e não “activo”, e aí reside precisamente a sua força. E como tal, contribui paradoxalmente mais para a manutenção da paz do que para o aumento da conflituosidade no mundo. Salvo duas raras e tristes excepções que foram Hiroshima e Nagasaki, as armas nucleares foram sempre usadas como modo de pressão e dissuasão teóricas / coercivas, assumindo assim papel regularizador da paz mundial, pelo menos no que diz respeito às quezílias verificadas entre potências do mesmo escalão, isto é, nucleares. Prova disso é que não há registo histórico de qualquer guerra entre as mesmas. Por exemplo, se o Iraque fosse uma potência nuclear como queriam fazer crer os Estados Unidos, jamais teria sido invadido, tal como não o foi a Coreia do Norte e provavelmente não o será o Irão. Estes factos provam que, uma vez pertencendo ao clube dos “intocáveis”, cada membro reserva para si a certeza de uma não invasão por parte de forças inimigas, que de outra forma os poderia obrigar a submeterem-se às vontades ditatoriais alheias.

Ora é precisamente neste ponto que reside o “perigo” tão clamado por parte dos Americanos, o de não mais poderem controlar um país que se recusa a submeter às vontades de outros que já somente aparentam lhes serem superiores, não o sendo realmente. E se a tal facto aliarmos a sua posição estratégica face aos interesses Americanos, e ainda o facto de este pertencer a uma cultura que não só lhes é estranha, mas que os próprios por ignorância e teimosia recusam (re)conhecer, vemos que a areia que está a emperrar a política expansionista económica-militar americana é por estes apresentada sobre a forma de ameaça à paz mundial.

A sê-lo, só se os Estados Unidos estiverem também interessados a mostrar mais a eles mesmos do que ao mundo que um conflito bélico com tal país não só não pode ter vencedores como só pode ter vencidos, não se sabendo é por enquanto o número exacto que a abertura de tal Caixa de Pandora poderia produzir. Para uma melhor compreensão dos factos apresentados remeto para o livro “The Nuclear Winter: The World after Nuclear War- Sagan, Carl “, que já em meados do anos 80 antevia com grande mestria as prováveis consequências de uma eventual afirmação de egos menos comedidos.

Sabendo-se hoje da escassez não só futura, mas também presente dos recursos petrolíferos e da importância não só económica como também social dos mesmos, calhou na mente de um certo país que a melhor maneira de assegurar o futuro mais próximo seria obter a qualquer custo o máximo de controle possível sobre tais produtos, relegando as responsabilidades de eventuais conflitos a todos aqueles que se opõem a tais pretensões.

Acontece também que por ironia do destino, outros há que entendem que não vieram ao mundo para servir de bonecos, palhaços ou bobos da corte, e que não acham piada nenhuma que alguém venha de fora roubar o que cresce no seu “quintal”, e como tal, lhe pertence de direito, de forma que, ao olhar para o lado e ao verificar que a casa do vizinho está a ser pilhada por larápios “vestidos de anjinho”, resolve antecipadamente contratar “seguranças” robustos que consigam somente recorrendo à sua “postura física”, persuadir tais criaturas a não repetirem a façanha na sua casa. Esses mesmos que certas “inteligências” resolvem qualificarem de “estados párias” e supostamente terroristas, esquecendo-se precisamente que foram os próprios Estados Unidos os únicos que até hoje usaram bombas nucleares sobre povos indefesos, no maior acto terrorista de que há memória, e acerca do qual se deveriam ainda hoje sentir envergonhados. O termo terrorista não é de forma alguma exagerado se tivermos em conta que deriva do facto já assumido de que o uso de tais engenhos terem como objectivo em primeira instância espalhar o terror entre as populações indefesas, tendo como reflexo pressionar ou na melhor das hipóteses incutir o terror sobre o próprio Imperador Hiroito, levando-o como de facto se veio a verificar, a aceitar as suas pretensões.