“É no contexto desse matrimónio, em que um ou os dois elementos estejam infectados, que o uso do preservativo é o chamado mal menor” - Carlos Maria Martini, cardeal Italiano.
Peca por ser tardia esta minha reacção à anunciada “bênção” do uso do preservativo como um “mal menor”, segundo palavras da santa sé. No entanto, dada a importância do acontecimento, estará sempre actual.
Numa altura em que a Sida alastra “descontroladamente”, não havendo ainda uma cura para a mesma, e sendo esta mortal, muito me espanta que se defendam posições discriminatórias por parte de quem deveria promover a igualdade, mesmo depois de reconhecer que o uso do preservativo é um mal menor ( face à eventual possibilidade de contágio de uma doença mortal ).
Para quem defende que se deve preservar a vida “a todo o custo”, parece-me bastante contrasensual o facto de se admitir que a vida tenha em si mais valor, e por conseguinte, admitir o uso do preservativo como forma de a defender... mas apenas para casais monogâmicos...
Perante tal facto, ou para a igreja a vida não é um valor em si mesma, e o seu valor está dependente de factores secundários, e aí pergunto eu, porque não enquadrar também nesta perspectiva questões como o aborto ou a eutanásia por exemplo, ou então o mal menor não pende para o uso do preservativo, sendo perfeitamente aceitável em certos casos que uma parte infecte ou seja infectada, passando assim esse mal menor nesses casos para o outro lado, i.e., para o lado da doença.
Acresce ainda o facto de que, pese embora a salutar separação entre o Estado e a Igreja, o Estado estar a gastar fundos em campanhas de prevenção, tentando passar a mensagem da importância do uso do preservativo, e encontrarmos por outro lado outro sector com peso na sociedade a difundir precisamente a mensagem contrária, ou seja, que o seu uso é importante.. só às vezes... conforme o seu “BELO” prazer...
Ou o Estado ficou rico de repente, e não sabe onde gastar o seu dinheiro e como tal, deu-lhe uma fezada para o gastar “à vontadex”, ou então a politica estatal apresenta neste campo uma consciência cívica que talvez falte a alguns sectores da sociedade, que esperam tirar partido “político” do facto, o que não só me parece imoral, como também, de resto, bastante triste.
Mas para que raios quererão os casais monogâmicos usar “tal porcaria”?
Não serão eles fiéis, por acaso? Se sim, e salvo alguma infelicidade, algum infortúnio de contaminação sanguínea, estes não deverão precisar disso para nada... afinal, portando-se “bem”, não têm possibilidades de estarem infectados.
A não ser que... algum dos cônjuges “pule a cerca”, e aí lá se vai a monogamia, e como tal, não se é mais digno do seu uso.
Ou então pelo menos um dos conjugues já estaria infectado anteriormente, e aí, uma vez abençoado(s) pelo casamento, passariam a estar abençoados pela “graça divina”, sendo então dignos do uso de tal “mecanismo de protecção”. Mas para lavar as “impurezas”, primeiro precisariam de casar. Caso contrário, “só seriam dignos” de “espalhar a doença a seu belo prazer”.
Polémicas à parte, tempos houve em que o preservativo “tinha sido inventado” para conter os efeitos de certas obstruções nasais, mas com o decorrer do tempo, este ganhou novas aplicações.
Por este caminho, ainda se vai assistir à substituição do célebre anel de casamento pela igualmente circular e não menos popular “camisinha”, para que assim, com este gesto simbólico de enfiar o respectivo “artefacto” no dedo, se possa “selar” para todo o sempre a felicidade monogâmica tão abençoada.
De uma vez por todas, que se perceba que “ninguém gosta de usar tal porcaria”... mas ao contrário do que alguns dizem, não é um “mal menor”, é “um mal necessário”. E como tal, TODOS temos de por isso “na cabeça” de uma vez por todas...