Ao comprar como habitualmente faço o jornal diário, reparei felizmente que este não dedicou na sua primeira página especial atenção ao jovem actor entretanto falecido. De facto, nos últimos dias tenho sido bombardeado com o relato da sua morte e das seguintes situações envolventes, de uma forma que considero não só sensacionalista como totalmente desproporcionada. A merecer especial destaque será não a sua morte, mas o sensacionalismo que em torno desta se gerou.
Que a situação seja constrangedora para familiares e amigos, é perfeitamente natural, que tenha de certa forma abanado algumas consciências embriagadas no mito do “ídolo intocável”, é uma consequência também esperada (eu próprio confesso que passei por uma sensação similar de incredibilidade aquando da morte do piloto Ayrton Senna), agora que alguns meios de comunicação social queiram a todo custo tirar proveito da desgraça alheia é que já não me parece tão compreensivo ou aceitável. É como que a tentativa de promoção do jovem à categoria do novo herói trágico. É de facto trágico morrer tão cedo, mas será que este foi o único jovem a quem este facto aconteceu? Para alguns meios de comunicação assim parece.
Ilações práticas deste fenómeno, algumas, positivas a meu ver, no meio de tanta “negatividade”.
O de alertar por um lado, que a efemeridade / fragilidade da vida humana, que nos coloca a todos perante tal facto em situação de igualdade, por outro o de reavivar as consciências, mesmo que brevemente, das implicações do acto de conduzir, e por fim o de possibilitar aos pais e educadores a abordagem a um tema que é muitas vezes omitido ou tratado de forma totalmente asséptica. Permite assim abordar de uma forma “positiva” a problemática da morte, aproveitando exemplos que podem contribuir para uma melhor aceitação futura do facto, quando as crianças, as que ainda não o tiverem feito, entrarem em contacto mais directo com o fenómeno da morte de um familiar ou amigo.
A este respeito (como a qualquer outro aliás), devemos sempre que possível, mostrar o mundo como ele é, sem fantasmas ou tabus. As crianças agradecem... e o mundo também.
7 comments:
Tenho a certeza que hoje há mais gente a ver os Morangos com Açucar!!! Vai tudo querer saber quem é o morto.
Além do sensionalismo, serve de publicidade á novela.
só de pensar que alguns meios que agora tanto usam e abusam do sensasionalismo da triste noticia também terão alguma eventual culpa, pelo endeudamento das personagens, pelos altos salários pagos a jovens ainda pouco experientes,pela exposição pública a que os incentivam para aumentar audiências(Quem sabe a comparencia na discoteca e o distribuir de autografos dessa noite antes do acidente não fez parte dessa estratégia), dão que pensar.
Lembro-me de já há alguns anitos, em pleno PREC, com a sucessão de governos de curta duração, ter ouvido ao meu pai a expressão:
"cada povo tem o governo que merece"
Neste contexto eu alteraria e expressão para:
"cada povo tem a comunicação social que merece"
Pois se é verdade que é uma tristeza olhar com olhos de ver para a televisão ou para os escaparates, também não é menos verdade que é essa mediocridade "o que melhor se vende".
De vez em quando há uma publicação de qualidade que consegue vingar, pelo menos por algum tempo. Em paralelo na dita "imprensa cor de rosa" os novos títulos são como cogumelos.
Esta história do acidente de um jovem actor, e os comentários que aqui li, fazem-me lembrar um episódio ao mesmo tempo cómico e caricato, que me aconteceu numa sala de espera de um dentista, dias após a morte da princesa Diana de Gales.
Estavam duas "tias" muito enxofradas com os "paparazzi" que eram estes e aqueles e patati e patata...
Eu, já farto de tentar ler uma revista de motociclismo e enjoado com o bombardeamento permanente de histórias e teorias sobre a morte da senhora com que era (fomos) bombardeados nesses dias, fiz um comentário.
Se a morte da princesa Diana foi provocada por uma perseguição de "paparazzi", então a culpa é das senhoras e de quem, por todo o mundo, consome essas revistas de mexericos e espionagem na vida privada dos outros.
-O que é que está para aí a dizer?????
É simples, os "paparazzi" só existem para alimentar a curiosidade mórbida de quem lê essas revistas, se não houver quem as compre, não há "paparazzi".
Escusado será dizer que quase fui cruxificado. Mas isso durou só alguns minutos e depois já pude ler a minha revista descansado.
O caso não é igual, mas o fundo é o mesmo, a pressão dos média para viverem à custa da curiosidade (que eles próprios espevitam) em torno desta ou daquela figura, mais ou menos pública.
Tanto insistem que ....
Se a morte da princesa Diana foi provocada por uma perseguição de "paparazzi", então a culpa é das senhoras e de quem, por todo o mundo, consome essas revistas de mexericos e espionagem na vida privada dos outros.
Foi provocada pela perseguição dos ditos ou pelo excesso de velocidade a que ia o carro, á entrada de um túnel, conduzido por um motorista com alcool no sangue?
Este é um ponto em que discordo... mas também é o único
Filipa
Essa distinção é muito complicada e delicada.
O excesso de velocidade pode ser atribuido à perseguição, ou ...talvez não.
Já o alcool no sangue do condutor é menos justificável.
Em todo o caso, memso com alcool, mas sem "paparazzi", talvez não tivesse havido velocidade, logo menor probabilidade de acidente ou acidente menos grave.
Quem sabe....
MAs também, anda há a teoria dos serviços secretos ingleses, mais a do...........e a do... e a dos...
Claro que no caso em apreço, o do "tuga" da telenovela, nada disto se aplica. É mesmo só um caso de farra e falta de juízo ao melhor estilo "docas" ou "24 Julho".
"Essa distinção é muito complicada e delicada."
Sem dúvida. Daí a minha observação ter ganho a forma de questão, e não de afirmação.
Se realmente a culpa da morte da princesa Diana fosse da perseguição dos paparazi, que só existem porque existem tias enxofradas que lêm a Flash no consultório do dentista, (logo são elas as culpadas, pois pela lógica A=B, B=C, logo A=C) então daqui a pouco chegamos a outra brilhante conclusão, que é se elas não soubesse ler, logo não liam revistas, logo não haviam paparazi, logo não morriam princesas em tuneis.
Ora, se elas não soubessem ler e arrancassem dentes com alicates, anestesiadas a aguardente, uma coisa é certa... já se podiam ler revistas de motociclismo em paz nos consultórios.
E nisso, dou-lhe toda a razão: não há nada melhor que olhar para a fotografia de uma bela Suzuki de duas rodas sem ter que ouvir a descrição de um Mercedes de quatro rodas, enfaixado num pilar de um túnel.
"consome essas revistas de mexericos e espionagem na vida privada dos outros"
Ora por coincidência acabei de encontrar um outro ponto do qual discordo... mas também é só mais este.
Convém recordar que a era precisamente da exposição da sua vida privada, que a princesa Diana retirava, em grande parte, os seus fartos rendimentos.
Quem não se recorda das suas famosas entrevistas á BBC, pagas a peso de ouro, onde a dita senhora só não dizia quantas cuecas fio-dental vermelhas tinha, porque não calhou? Quem não se recorda das suas biografias autorizadas, onde se enumerava quantos amantes teve?
Pois, essa série foi uma autentica intoxicação alimentar no mundo da doçaria da televisão nacional.
Eu sou sincero quando andei com uns problemas do foro anal, fui obrigado a ver e gostei!
Mas não podemos nos tornar em burros e estupidos e parados.
dar-mos mais relevo a uma personagem de uma novela, ou se a keka patti vai casar! tenha dó! Paizinho!
O gaijo morreu! tb o zé morreu em cinfães, ou a margarida no casal do bento! não fomento esse tipo de sensaionalismo, quer nas revistas, quer nas televisões! mas que sabe bem ler na casa de banho a maria, ai isso sabe! Paz ao dino!
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