Sunday, April 16, 2006

Aonde mora o perigo Nuclear?

Numa altura em que parece estar meio mundo preocupado com a possibilidade de um Irão Nuclear, serão menos as pessoas que param um pouco para pensar nas verdadeiras causas de tal preocupação. Será por ser um regime “supostamente” louco ou devido a reminiscências de um passado mal resolvido que ainda não abandonou a nossa consciência colectiva, um fantasma que se apodera dos medos humanos e que toma conta da nossa irracionalidade para além das razões que a nossa racionalidade pode produzir?

Se pararmos um pouco para analisar friamente os factos, o que se assiste é apenas mais um país a afirmar o seu direito ao nuclear e a inscrever o seu nome como potência nuclear. Outros houveram que tomaram precisamente as mesmas acções, contrariando todos os tratados de não proliferação nuclear sem que no entanto se tenham levantado um número significativo de vozes a contestar o facto.

E porquê? Porque o que está verdadeiramente em causa não é o perigo do nuclear, mas sim quem possui os “direitos” de poder usar activa ou passivamente, leia-se coercivamente, o seu poder.

Nos últimos anos verificou-se que países como Israel, França, Paquistão, Índia ou Coreia do Norte se afirmaram de forma mais ou menos clara como membros de direito ao grupo restrito de privilegiados enquanto potências nucleares, ignorando para o efeito todos e quaisquer tratados. Ainda à bem pouco tempo, os Estados Unidos que de forma tão apressada e firme vieram a público condenar o “perigo” de um Irão Nuclear, se deslocaram à Índia para aceitar com palmadinhas nas costas mais um membro de direito a tal grupo, negando logo de seguida o reconhecimento ao seu vizinho Paquistão, com o qual esta se trava de razões pela questão de Caxemira. Só que, para azar dos Estados Unidos, o Paquistão não está já dependente do reconhecimento de qualquer “pretenso” árbitro, e soube já afirmar-se perante o mundo como potência nuclear. O mesmo se passou com a Coreia do Norte, e vai ou já está a acontecer com o Irão. Outros se seguirão, e ainda bem.

E porquê? Porque ao contrário do que alguns querem fazer crer através de leituras distorcidas, o papel do nuclear é sobretudo coercivo e não “activo”, e aí reside precisamente a sua força. E como tal, contribui paradoxalmente mais para a manutenção da paz do que para o aumento da conflituosidade no mundo. Salvo duas raras e tristes excepções que foram Hiroshima e Nagasaki, as armas nucleares foram sempre usadas como modo de pressão e dissuasão teóricas / coercivas, assumindo assim papel regularizador da paz mundial, pelo menos no que diz respeito às quezílias verificadas entre potências do mesmo escalão, isto é, nucleares. Prova disso é que não há registo histórico de qualquer guerra entre as mesmas. Por exemplo, se o Iraque fosse uma potência nuclear como queriam fazer crer os Estados Unidos, jamais teria sido invadido, tal como não o foi a Coreia do Norte e provavelmente não o será o Irão. Estes factos provam que, uma vez pertencendo ao clube dos “intocáveis”, cada membro reserva para si a certeza de uma não invasão por parte de forças inimigas, que de outra forma os poderia obrigar a submeterem-se às vontades ditatoriais alheias.

Ora é precisamente neste ponto que reside o “perigo” tão clamado por parte dos Americanos, o de não mais poderem controlar um país que se recusa a submeter às vontades de outros que já somente aparentam lhes serem superiores, não o sendo realmente. E se a tal facto aliarmos a sua posição estratégica face aos interesses Americanos, e ainda o facto de este pertencer a uma cultura que não só lhes é estranha, mas que os próprios por ignorância e teimosia recusam (re)conhecer, vemos que a areia que está a emperrar a política expansionista económica-militar americana é por estes apresentada sobre a forma de ameaça à paz mundial.

A sê-lo, só se os Estados Unidos estiverem também interessados a mostrar mais a eles mesmos do que ao mundo que um conflito bélico com tal país não só não pode ter vencedores como só pode ter vencidos, não se sabendo é por enquanto o número exacto que a abertura de tal Caixa de Pandora poderia produzir. Para uma melhor compreensão dos factos apresentados remeto para o livro “The Nuclear Winter: The World after Nuclear War- Sagan, Carl “, que já em meados do anos 80 antevia com grande mestria as prováveis consequências de uma eventual afirmação de egos menos comedidos.

Sabendo-se hoje da escassez não só futura, mas também presente dos recursos petrolíferos e da importância não só económica como também social dos mesmos, calhou na mente de um certo país que a melhor maneira de assegurar o futuro mais próximo seria obter a qualquer custo o máximo de controle possível sobre tais produtos, relegando as responsabilidades de eventuais conflitos a todos aqueles que se opõem a tais pretensões.

Acontece também que por ironia do destino, outros há que entendem que não vieram ao mundo para servir de bonecos, palhaços ou bobos da corte, e que não acham piada nenhuma que alguém venha de fora roubar o que cresce no seu “quintal”, e como tal, lhe pertence de direito, de forma que, ao olhar para o lado e ao verificar que a casa do vizinho está a ser pilhada por larápios “vestidos de anjinho”, resolve antecipadamente contratar “seguranças” robustos que consigam somente recorrendo à sua “postura física”, persuadir tais criaturas a não repetirem a façanha na sua casa. Esses mesmos que certas “inteligências” resolvem qualificarem de “estados párias” e supostamente terroristas, esquecendo-se precisamente que foram os próprios Estados Unidos os únicos que até hoje usaram bombas nucleares sobre povos indefesos, no maior acto terrorista de que há memória, e acerca do qual se deveriam ainda hoje sentir envergonhados. O termo terrorista não é de forma alguma exagerado se tivermos em conta que deriva do facto já assumido de que o uso de tais engenhos terem como objectivo em primeira instância espalhar o terror entre as populações indefesas, tendo como reflexo pressionar ou na melhor das hipóteses incutir o terror sobre o próprio Imperador Hiroito, levando-o como de facto se veio a verificar, a aceitar as suas pretensões.

13 comments:

Pedro Borges said...

Bela visão da problemática, clara e sem vendas nos olhos...

Anonymous said...

ok mano, só uma ou outra correcção: Irão faz parte do Tratado de não proliferação de armas nucleares, enquanto que Israel nunca o fez, logo nunca sofreu qualquer sanção ou represalia.
2º não existe qualquer tratado de não proliferação nuclear como referes no texto, mas sim de armas nucleares. a servir de exemplo esta a Alemanha que usa energia nuclear e no entanto nunca teve armas nucleares, logo nunca violou o direito internacional. Já a França, sim.
3º os EUA nao vao invadir o irao nem agora nem nunca, nao por quererem vincar qualquer posição, mas porque faze-lo neste momento ou num futuro muito proximo seria um suicidio politico. ainda com a batata a escladar do iraque muito menos. para uma naçao se munir de armas nucleares demora o seu tempo, e o irao vai passar os proximos anos a dedicar-se á tarefa. se os EUA optassem por uma intervençao militar nesta altura, acredito que o irao nao teria capacidade de resposta. o mesmo nao acontecera num espaço de tempo de 5 anos
1 questao: versao oficial do irao é que o investimento nuclear esta a ser desenvolvido com fins pacificos e energeticos e nao como forma de armamento. assim sendo, e ao contarrio do iraque que condensou as suas instalaçoes nucleares num so local, porque esta o iraque a distribuir as suas instalações por todo o territorio, em locais estrategicos, e porque sao as instalações subterraneas?
4 o facto das armas nucleares servirem ao fim coercivo, aplica-se unicamente ás relaçoes entre 2 ou mais potencias ou estados soberanos que tenham armas nucleares. nao se aplica a uma naçao que as tenha e a outra que nao as tenha. hiroshima e nagasaki sao exemplo disso mesmo. e se o irao, por qualquer razao que nos ultrapasse, se distrair e deixar cair uma bomba no seu país vizinho turcomenistao, quem vai retaliar belicamente um país nuclearmente armado? ninguem. tal como ninguem retaliou militarmente os EUA aquando nagasaki ou hiroshima. a diferença podera estar no facto de os EUA terem tido uma pretensa legitimidade no seu ataque ao Japao: retaliaçao por pearl harbor, aceite a nivel do direito internacional, e levar á rendição da ultima nacao do eixo que ainda nao o tinha feito, e que conduziria ao fim da 2 guerra mundial.
quanto a mim, o irao vai continuar a sua exploraçao nuclear, sofrer sancoes economicas e diplomaticas por parte do conselho de segurança da onu por estar a violar o tratado de nao proliferaçao, ás quais se vai estar marimbando, e os EUA vao ficar no seu canto a lamber feridas iraquianas. o irao vai calmamente fazendo o que quer e ficara por aí. daqui a uns tempos, e porque isto não é mais que ciclico, outro e outro se seguirão, até termos um mundo legitimamente armado até aos dentes, até que qulaquer outro episodio historico, traumatico e infeliz, leve os estados todos a ter peso na consciencia e voltem todos, cheios de boa fé política, a entrarem num sem numero de tratados de desarmamento
e agora tenho de ir jantar

UntilTheEnd said...

Quando me refiro à não proliferação nuclear, obviamente refiro-me à não proliferação de armas nucleares, e não da tecnologia nuclear. Os Estados Unidos opõem-se ao enriquecimento de uranio que tanto pode servir de combustivel para as centrais, como também para construir bombas atómicas.
Oficialmente o Irão reclama o direito à tecnologia, mas parece-me também claro, sim porque ninguém é anjinho, que na realidade querem algo mais. Só que não o dizem claramente, fazem a ameaça encapotada. Nesse sentido então também os Iranianos não estarão a violar qalquer lei. Segundo eles o destino são as centrais e não as bombas. Quanto ao facto de não possuirem já as ditas bombas... não estaria tão certo. Penso que aprenderam bem a lição de que o bluff pode não resultar, vê o que aconteceu com o Iraque. Tanta demonstração de força e os Americanos entraram que nem manteiga... sair é que é pior. E quanto ao teu quarto ponto, penso que fui claro quando referi "...pelo menos entre potências do mesmo escalão, isto é nucleares". Quanto à legitimidade para as detonações de Hiroshima e Nagasaki, não me parece tão clara... e de qualquer forma, nessa altura, quem mais detinha tecnologia para as detonar senão os Estados Unidos? A Alemanha não tinha, o japão muito menos... logo, como retaliar?

Anonymous said...

"Quanto ao facto de não possuirem já as ditas bombas... não estaria tão certo."

Teerão ainda não tem armas nucleares, mas eu também não estou lá para ver, no entanto existem vários relatórios que indicam que num prazo máximo de 5 anos o Irão terá armas nucleares.
Uma arma nuclear demora pelo menos 9 meses a ser construida, e para tal serão necessarias 3 mil centrifugadoras de enriquecimento de uranio. Segundo o ultimo relatório do Conselho de Segurnça o Irão tem 300 centrifugadoras.
A apreensão surge quando a Agência Nuclear Iraniana afirma pretender atingir nos proximos anos 54 mil centrifugadoras.
Existe o relatório do Conselho de Política Exterior e de Defesa de uma ONG Russa, que apesar de ser Russa, afirma isso mesmo, que o Irão a ter armas nucleares, só o conseguirá nos póximos 5 anos.
Como disse, os EUA não atacarão o Irão, não com medo das armas nucleares, mas porque a melhor arma destes paises continua a ser o fundamentalismo islamico e as suas populaçoes.

"Só que não o dizem claramente, fazem a ameaça encapotada. Nesse sentido então também os Iranianos não estarão a violar qalquer lei."

Pois não, mas também segundo essa lógica, é claro que de futuro a irão violar, e os tratados existem para alguma coisa, apesar de tal como aconteceu na Coreia do Norte, que fazia parte do tratado, depois das armas feitas, ninguem se meteu com o menino.

"E quanto ao teu quarto ponto, penso que fui claro quando referi "...pelo menos entre potências do mesmo escalão, isto é nucleares"."

Claro que foste claro, mas é precisamente na clareza que reside o erro. Não é pelo menos entre potencias do mesmo escalão, mas sim somente entre potencias do mesmo escalão.

"Quanto à legitimidade para as detonações de Hiroshima e Nagasaki, não me parece tão clara... "

A mim também não. Aliás é tudo menos clara para mim. Mas era para os EUA em 1945. Tal como poderá ser para um outro qualquer país em 2045 que se lembre de encontrar um qualquer "suposto" motivo legitimo como o dos EUA em 1945.

"e de qualquer forma, nessa altura, quem mais detinha tecnologia para as detonar senão os Estados Unidos? "
Ora aí tens razão

Anonymous said...

ja agora, vais almoçar ao pai no sabado? ;))))) estava-me a apetecer uma picardia. bjo

Anonymous said...

vou ter de me alongar um pouco sobre a questão, meu rico. de antemão também sei que tens um odiozito de estimação aos yanks, mas assusta-me muito as armas nucleares na posse de alguem que afirma que nunca existiu nenhum holocausto (Se calhar na opinião do senhor em vez de terem perecido milhões de judeus, estes até se multiplicaram como coelhos devido às técnicas de reprodução dos médicos alemães desenvolvidas em alguns campos de concentração) e que defende publicamente a extinção de Israel e do seu povo. Este senhor parece saber algo sobre o nuclear, mas pouco sobre história e todos os dirigentes que sabem pouco sobre história tem-se mostrado capazes de repetir erros que julgávamos irrepetiveis.
É certo que nossa Senhora de Fátima, quando apereceu aos pastorinhos os alertou sobre alguns perigos que ameaçavam a humanidade, como o atentado à vida do Papa,e não os alertou para as vidas que o Sr.Presidente do Irão poderia provocar, e dai podermos ficar um pouco descansados, mas também não podemos ignorar que ela se esqueceu de os alertar para alguns controladores da população mundial como Hitler,Pol Pot, Bocassa, Idi Amin, Pinochet, só para lembrar alguns.
Além disso gostaria de te recordar que é tudo muito bonito, não considero os americanos os donos da verdade, nem um grande exemplo de moralidade, mas quandoa Europa esteve em perigo acabou sempre por correr, como uma criança assustada, para debaixo das saias do amigo americano, implorando que os viesse ajudar a resolver os problemas que alastravam na sua àrea geográfica e que não eram capazes de resolver (Só para exemplo, as duas guerras mundiais ou o conflito na Bósnia)
Apesar de não parecer estou inteiramente de acordo com algumas conssiderações que fizeste Um abraço.

UntilTheEnd said...

Bom, vamos por partes...
Quanto ao Holocauto... claro que o rapaz vê mal os números ou não percebe muito de matemática ou história... ai tens razão. Quanto à extinção de Israel..., o que eu ouvi é que ele queria varrer os Israelitas do mapa... depende do sentido que quis dar à frase... se varrer quer aqui indicar "mover os meninos" um pouco mais para o lado, de forma a que abandonem os territórios ocupados, concordo, se aqui o termos é "varrer" definitivamente, i.e. extreminar... aí já é outra conversa. Mas não me parece que ele seja tão estúpido, não ganhava nada com isso. Quanto ao facto de a Europa ter ido sempre a correr "para debaixo das saias dos americanos", não é totalmente correcto... se reparares, pelo menos em relação À 2ª guerra, quem suportou "quase sozinha" durante bastante tempo o esforço de guerra foi a Inglaterra (até meados de 1941), que de facto se fartou de implorar aos Americanos que ajudassem ( OK, a França também teve um papel importante, entre o resto dos aliados). . Estes por sua vez adiaram a sua entrada até mais não poderem, enquanto viram que a inglaterra "aguentava". Só que o ataque de pearl harbour veio acelerar muito a contagosto a sua entrada. Foram portanto forçados... ninguém correu para debaixo de ninguém, os americanos é que de repente "entraram no barco" ou "tiveram forçosamente de entrar". E com a vantagem de um dos lados estar já algo desgastado, enquanto que eles entravam "fresquinhos". Se não se vissem obrigados, oS Americanos nunca teriam entrado... e a Europa (não teria outro remédio), teria que se desembaraçar sózinha. Na realidade o que se assistiu foi uma simbiose... um 1º desagaste por um lado... e uma machadada final pelo outro... mas num ambito de interesse comum.

Anonymous said...

Este eu li em primeira (?) mão. Ou pelo menos numa das primeiras.
Como tal já sabes o que penso.
Mas como os restantes interneutas não sabem, aqui fica.

À parte o odiozinho de estimação ao EEUU que transpira por todo o texto, eu não seria nem tanto à terra nem tanto ao mar.

É que se os americanos não são exemplo para ninguém, os Iranianos também não são nenhuns 'meninos de coro'. É que nisto de guerras e ingerências, temos por aí exemplos mais do que suficientes de que o Irão também pisa o risco a toda a força.
Podemos regressar ao tempo da guerra Irão-Iraque, passar pelo Afeganistão e continuar pela actual situação no Iraque, sem esquecer o terrorismo Palestiniano.
Em todos estes cenários andou ou anda mãozinha e pesada do Irão, mãozinha e dinheiro, muito.

Por isso, não estou própriamente com muita fé na prosa do presidente iraniano sobre energia nuclear, o que ele quer mesmo são as armas. Em termso de energia está mais que abastecido e não paga o petróleo a 75 USD o barril. Além do mais, como é costume e hábito nessa parte do mundo, estão-se mais ou menos nas tintas para o nível de vida das populações, desde que a a classe dirigente, que neste caso coincide com as chefias religiosas, esteja bem, o resto é paisagem. E nem se atrevam a estrebuchar muito que ainda se aleijam.

O problema dos Iranianos é mesmo ciumeira de a India e o Paquistão já estarem no clube. De resto andam a fazer bluff a toda a força com este treta dos exercícios militares. Mais, nem sequer é para impressionar o mundo, que esse já não vai em tangas. O objectivo do "show-off", tal como aconteceu no Iraque com o Sadam, é alimentar o fanatismo interno, impressionar os civis e levar os seus próprios militares (a arraia miuda claro está) ao auto-convencimento de que estão aptos a tudo. Se efectivamente viesse a verificar-se uma invasão americana, seria mais uma entrada de "faca quente em manteiga, no verão".

Quanto ao controlo das capacidades nucleares Iraniannas, acredito mais num golpe de mão Israelita (como aconteceu no Iraque) do que numa invasão amaericana.

Voltando à questão da invasão americana, eles já têm muito com que se coçar interna e externamente com a história do Iraque, também já fizeram o que queriam com o preço do petróleo e com a influência que terão nos próximos governos iraquianos, de forma que de momenmto não precisam de mais nada daquela região.
Estão a fazer muito barulho mas é mais para manter a postura que outra coisa.

Convém não esquecer que no meio disto tudo, o Iraque não foi invadido por causa de quaisquer armas. O Iraque foi invadido para correr com o Sadam Hussein, que decretou a sua própria perda no dia em que ventilou a hipótese de um futuro "Petro Euro". Isso sim que seria uma machadada das grandes na farsa que é a "economia americana". Lá se ia o sonho americano por água abaixo.
Os outros parceiros do petróleo perceberam perfeitamente o recado e nunca mais ninguém ventilou tal ideia e, enquanto não o fizerem poderão estar sossegadinhos.

UntilTheEnd said...

Em 1º lugar, so EUA não são merecedores do meu odio..., de qualquer forma não há no texto nenhuma santificação dos iranianos, claro que precebo as intenções destes, e de resto também não acredito em santos. Agora, o que denúncio no texto é a falsa moral do "amigo" americano, que remete para si e para os "seus" o papel de anjos, diabolizando todos aqueles que com eles não compactuam. É a lógica "quem não esta connosco, está contra nós", só que nem a frase corresponde à realidade, nem o mundo têm só duas cores, e mesmo que assim fosse, haveria de certo muitas tonalidades entremédias. Claro está que os objectivos dos Iranianos nada têm a ver com a produção de energia para qualquer central, petróleo não lhes falta. O objectivo claro é a construcção de armas nucleares... concordo contigo nesse ponto. De resto, não têm que ter ciúmes de quem quer que seja, apesar de todos os tratados existentes, parece-me de qualquer maneira pouco moral exigirmos aos outros o que para nós próprios não exigimos ou podemos cumprir na prática. Logo ou há moral... não pode é haver filhos e enteados. quanto ao "show-off", não teria tantas certezas... eles não parecem nada burros, devem ter olhado para o iraque e para a coreia e devem ter percebido antecipadamente como fazer as coisas... não sei, é só uma ideia... se bem que também não fica nada mal impressonar internamente, claro está. E essa parece-me ao contrário do que referes a principal razão para os americanos não intrevirem militarmente na região... passando para segundo plano o facto como disses-te e muito bem, de a sarna estar a atacar os "amigos" americanos por tudo o que é lado... resta-lhes claro... ladrar.. e bem alto, para ver se se acorda a matilha... sim que é para parecer-mos muitos... de resto, é bastante claro que o que está em jogo como referes são os interesses americanos e não outra questão qualquer... só não estou certo é do "podem estar sossegadinhos"... substituiria por "agora que tb já podemos fazer mossa... fiquem mas é lá sossegadinhos... que é melhor..."

Anonymous said...

os Iranianos em relação por exemplo aos Iraquianos tem pouca razão para terem ciumes. Já tem um presidente tão ou mais louco e amigo do bluff como Sadam, só lhes falta, que eu saiba, um ministro da propaganda tão castiço, como aquele de que Sadam dispunha.
De resto acho que a sua ciumeira não é bem contra a India ou o Paquistão, como god Said (Acho a maioria das suas considerações muito lucidas), pois eles sabem que não vão conseguir chegar ao estado de desenvolvimento daqueles nessa matéria, com a comunidade internacional de olho neles. Do que eles tem verdadeiramente ciumes é de ainda não terem conseguido ter o seu pais tão destruido como o Iraque, mas é justo reconhecer que estão a tentar.

UntilTheEnd said...

Não... segundo a lógica apresentada, quem deve mesmo ter ciúmes... deve ser a Coreia do Norte... essa é que por mais que tente... "coitada", ninguém lhe faz a vontade de a destruir... pudera... porque será? alguém quer adiantar alguma ideia? Talvez seja porque os seus dirigentes são tão ou mais loucos que os outros dois referenciados...

Anonymous said...

Já sinto um pipline a entar pelas entranhas da nova ordem mundial! Vamos dividir o átomo? Boa! uma metade vai para os desalinhados, outra vai para a cornualha que o pariu!
Vamos assinar um tratado em que quem invadir, paga um novo hospital ou um centro de idosos!
Eu não me revejo em nenhuma das facções facinoras! tenho dito! se não tiver nada a ver, num faz mal, apetecia-me dizer isto!

Anonymous said...

A questão do Irão nuclear é muito interessante. Acontece que no passado, a energia nuclear era apenas da posse de duas super potências, os EUA e a URSS. Agora a hegemonia está-se a perder.
A preocupação dos EUA, no meu ver até se compreende. Foi no Irão que se deu há cerca de 26 anos a revolução islâmica que conduziu ao inicio dos shaid ou mártires. O Hizbbollah foi criado a partir da ideia que Khomeni tinha acerca do islao mais radical. Tambem é verdade que o Irão ainda tem uma certa mágoa da guerra com o Iraque e tambem nao gosta muito do modo de vida dos principes sauditas que nadam em dinheiro à custa dos petro-dólares. Se o Irão conseguir uma arma nuclear não estou a ver que ele não possa ameaçar os seus vizinhos de modo a ganhar importância face ao petróleo.
Hoje há motivos de preocupação em torno da questão energética. Segundo especialistas a fase do petróleo barato está a acabar, e a produção chegou ao seu ponto máximo garantem. Bush em 2003 afirmou o seu apoio às energias alternativas e tambem à tecnologia do hidrogénio. Não seria de estranhar se Bush não fizesse parte do oil business. Por outro lado o 11 de setembro e as guerras no Afeganistao e Iraque não justificam cabalmente porque o preço do barril quase triplicou desde 2001. Também é verdade que a OPEP não aumenta a produção há largos meses, o que faria o preço descer aumentando o consumo. Por isso é preocupante o silêncio à volta desta questão.
A comunicação social e o Governo não dão nenhuma atenção a esta questão que acho deveras importante. É que estão todos tão preocupados com a OTA e o TGV e não se lembram que se o preço do barril continuar a subir é bem provável que aqueles dois mega projectos não saiam do papel.
Gostaria que pensassem nisto. Haverá industria para além do petróleo? Quais as consequências que haveriam no caso de a deplecção do petroleo acontecer antes de ser encontrada uma tecnologia assente e consolidada num novo combustivel? Pensem nisto e comentem.